A & G Belting Systems sas
di Aprovitola Enzo e C.

caixa de pandora | Tumblr Onde posso comprar encantos pandora

caixa de pandora

< > Most recent Most popular Most recent Filter by post type All posts Text Photo Quote Link Chat Audio Video Ask Hiding adult-oriented content Showing adult-oriented content Grid View List View Caixa de Pandora

Originally posted by ooh-lua

Eu sou uma caixa

Exatamente igual a de Pandora

Cheio de maldições


Abra-me

Com muito cuidado

Prova-me

mostra que tens coragem

Olha-me

De cima a baixo


Toca-me;

As minhas feridas.

Liberta-me;

Toda a angústia.

Ouça-me,

Do cochicho ao grito.


Incendeia-me,

Corpo em brasa.

Rompe-me,

Desabrocha a lágrima.

Dilacera-me,

Parte a alma.


Enquanto eu aguardo,

Eu guardo a esperança,,,

[Por Eduardo Souto, @deliriosdoeumesmo​]

deliriosdoeumesmo FollowUnfollow Caixa de PandoraAngústiaesperançamaldiçãoconhecenciaDelíriosDoEuMesmo 23 notes
    Loading... Show more notes Reblog

    eu tenho medo.
    hoje, pela primeira vez, confessei pra mim mesma em voz alta o meu medo. e não é dos outros, é de mim.
    eu tenho medo de mim.
    eu tenho medo do que posso me tornar.
    eu tenho medo até do que, em parte, já me tornei.
    e é um medo como um fogueira em que o fogo começa pequeninho e vai crescendo, subindo, consumindo tudo em volta - destruindo talvez seja a palavra certa.
    “mas você é tão boa”, me dizem.
    mas eu não sei, retruco - só em pensamento.
    até hoje eu encaro as fotografias de quando era criança sem entender bem quem é que está ali. logo me reconheço. me olho no espelho e vejo o traço que nunca mudou: os olhos.
    o vazio dos olhos.
    lá está ele. incansável. interminável. insone.
    eu tenho medo desse buraco negro, medo de abrir a “caixa de pandora” e descobrir que só pássaros negros e mortos vivem ali.
    “mas você é calma”, me dizem.
    mas eu não sei, retruco de novo - só em pensamento, de novo.
    eu tenho medo desse fantasma que fica à espreita só aguardando eu fraquejar pra colocar porta abaixo e me vencer de novo.
    eu nunca fui boa em vencer.
    eu tenho medo de descobrirem que eu não sou nada do que pensaram que eu fosse.
    eu tenho medo desse gelo que cresce de dentro pra fora e não de fora pra dentro.
    eu tenho medo de que os psicólogos cansem, de que os psiquiatras esgotem as receitas de remédios, de que as pessoas sangrem nos meus estilhaços sem controle.
    eu tenho medo de o mundo desistir de mim antes de eu desistir dele.
    “mas você passa tanto amor”, me dizem.

    mas eu não sei.
    eu não sei.

    e eu nem retruco.

    camilacosta FollowUnfollow Camila costa. 542 notes
      Loading... Show more notes Reblog Acho que todos já ouviram falar da Caixa de Pandora. De lá, saíram os maiores males da humanidade… Excerto um. Por pena, Pandora não liberou a clarividência, que nos permitiria ver quando morreríamos, data e hora. Talvez com isso, ela tenha liberado também um dos maiores bens da vida: Esperança —  Derick pensamentosreais FollowUnfollow derickfilosofiacaixa de pandoraesperançatextos 9 notes
        Loading... Show more notes Reblog Vem cá, me descubra, abre essa minha caixa de pandora, minha arca da aliança, vasculhe bastante, com intensidade, investigue meus mundos indefinidos, meus mundos incongruentes, mundos descobertos ou ainda desconhecidos, procure meus gostos e dissabores, meus males e encantos, talvez você goste e encontre coisas que ainda não sei, e quem sabe, decida ficar. —  Ronaldo Antunes sentilizar-se FollowUnfollow txconhecenciaprojetocartelprojetoalmagrafiarecuperandoaessenciadoceestherjulietariomardeescritos 76 notes
          Loading... Show more notes Reblog Eu sou aquela caixa de pandora que o pessoal pensa que tem um tesouro maravilhoso, mas na real, sou uma complexidade de questões. Sou tão indecisa sobre tudo, que às vezes me pergunto o que realmente eu tenho certeza. Porque sério, que certeza nos temos? —  13-55 13-55 FollowUnfollow autoriasconhecenciaprojetoversografandoprojetosonhantesprojetocartelmardeescritossonhosautorais 80 notes
            Loading... Show more notes Reblog

            Choro que cai como brasa escorrendo, fogo de uma maldita erupção vulcânica, rasgando. Ódio, asco e todos os malditos sentimentos liberados da caixa de Pandora. Mas a caixa do meu ser nunca é esvaziada, o cheiro é pútrido como algo que é acumulado por muito tempo e só decidiu entrar em contato com o ar porque ou choro ou explodo de dentro pra fora e espalho mil pedacinhos de mim pelo mundo. Como é um choro por tristeza? O condicionamento é a água quente escorrendo dos olhos pois se o ódio domina cada parte do meu ser, de mim é só isso que surgirá. 

            2300v FollowUnfollow 2300volts 61 notes
              Loading... Show more notes Reblog

              Sou como uma caixa de pandora, você nunca sabe o que irá encontrar.

              umametamorfoseambulamte FollowUnfollow minhauatoriaprojetoconhecenciaconhecenciajulietariopequena escritorapequenosautorespequenosescritoresmysterymetamorfoseambulantediary 43 notes
                Loading... Show more notes Reblog debohipocrisia

                abriram a caixa de pandora: papelzinho colorido é paz indiscreta na ponta da língua
                ali na Rep a gente construiu uma sociedade inteirinha de luz e amor
                minhas calças coloridas ficam ótimas dentro do carro da mamãe Passeando por aí
                “como é possível sentir raiva? não entendo quem não busca a paz..”
                a paz interior é um privilégio de condominio
                não é atoa que as religiões orientais mutantes e energias e espiritualismo atingem os donos de algo
                os filhos dos donos de algo
                a bolha da federal se constitui numa espécie de Sociedade Alternativa
                as faculdades estaduais constituem numa utopia Papai Pagou
                a maconha na biqueira é um pedaço de sangue e de dor e sem crise, relaxa
                fumar continua bom
                mas a grandeza inútil das nossas conversas sobre o universo
                põe Ghandi numa estátua de pedra o Buda gordo sentado: prosperidade autoreferenciada
                e no fim fica fácil chamar Malcom X de quebrador de vidraça
                as vidraça tem mais alma que um pedaço de carne
                o cérebro é um poço de ideias jogadas: profissionalismo, dinheiro, arranjar emprego
                é mais fácil a gente acabar morrendo de dor e de desapego
                mas é incrível o que essa gente passa todo dia O Estado De Sítio
                essa molecada vive dentro dum mundo imenso de Bucolismo
                “nosso cartaz apoiando o povo em luta na índia é o próximo passo da revolução”
                esses dias ouvi de um professor que só anda de terno que o Exército Vermelho é coisa da imaginação
                ele não viu a Verdade obstruída nas casas, a bomba relógio ocupando praças as crianças que olham no olho
                o fim anda próximo demais do que parece o pino foi retirado
                a Granada é de mão vai explodir por todos os lados
                Tem mais Gente Viva nos trens e buzão do que no Laboratório De Estudos de Periferização,
                A Realidade Ingrata é um palácio íngreme construído sob a sucata
                é hora de tirar o lixo e lavar a roupa, o silêncio é mais forte que a sua boca
                e o mundo vai permanecer como tá enquanto você, deboísta não se tocar
                “No inferno os lugares mais quentes pertencem aqueles que permaneceram neutros em tempos de crise”
                como eu não acredito em inferno, a praga é meu dedo em riste
                A Coisa Vai Ferver, Parceiro
                A coisa vai ferver no mundo inteiro;

                seasickpoetry FollowUnfollow poesiapoemaantidadaísmoantidádaantidadápoetaescritoscigarroscafépensamentos fkzbbdty. pandora charms à vendrevidahipocrisiadeboísmo 84 notes
                  Loading... Show more notes Reblog Achados e Perdidos

                  “Vire a segunda à esquerda, na Esquina dos Desiludidos”. Foi o que me disseram; então o fiz.

                  Caminhei pela calçada; as ruas vazias, lotadas com o ar frio da noite. Virei a esquina com as mãos nos bolsos. Enfim, entrei nos achados e perdidos. Olhando baixo, perguntei à senhora curva e enrugada que estava atrás do balcão:

                  – Com licença. Um dia desses estava caminhando pela rua e acabei perdendo as minhas esperanças. Elas estão aqui?

                  – Meu querido  – ela disse sorrindo atrás dos minúsculos óculos –, aqui guardamos apenas o que se pode fazer alguém feliz.

                  A senhora deve ter percebido a confusão que tomou meu rosto, pois saiu de trás do balcão e parou a alguns centímetros de mim. Colocou seus dedos em meu queixo.

                  – Se a Esperança fosse algo que trouxesse felicidade, meu querido, ela não estaria na Caixa de Pandora.

                  resistires FollowUnfollow autoriasmardeescritosprojetoversografandoprojetocartel 73 notes
                    Loading... Show more notes Reblog

                    Vou guardar os meus erros
                    E todo o meu mundo inteiro
                    Na minha caixa de Pandora
                    Acho que já chegou a hora
                    De encaixotar o meu mundo
                    Pois já me cansei dos tropeços
                    E de decepcionar a mim mesmo


                    Edison Botelho

                    edisonbotelho FollowUnfollow ebsjprojetocartel 64 notes
                      Loading... Show more notes Reblog Falar é fácil, difícil é ouvir. Somente quem se sente aprisionado sabe que a vitalidade se despedaça igual uma peça de porcelana. A solidão, a futilidade, o fracasso, o anonimato, é tão, tão grande que chega a ser insuportável. Vivemos numa caixa de vidro mental e física. Um sistema com permissões, normas e aceitação que molda tudo aquilo que não é dito e que caso se rebele, se torna apenas outra estatística num mundo que não irá parar para consertar o seu coração. Ao ler estas linhas, qual o tamanho da sua jaula? Cinquenta metros, cinquenta quilômetros, alguns centímetros? A limitação da sua mente? É isso? Uma caixa de Pandora que liberta de tudo, medos, tristeza, guerras, desprezo, menos a capacidade de ouvir. Cuidado com isso, ainda faltam alguns itens para saírem da imaginação. O que acontece quando você abre essa caixa e a esperança não está mais lá? Oras meu caro, a resposta é simples, a vida termina e não existe uma passagem de volta. É uma longa viagem num campo minado onde você caminha tentando sobreviver, ou melhor, apenas existir. Pontes deveriam ser uma bela travessia para admirar a paisagem, não um cemitério. Imagino a quantidade de pessoas que se sentem atordoadas, vazias, levando porradas da vida diariamente e aguentando para prosseguir até a luz do fim do túnel, uma luz que na verdade está apagada há muito tempo por falta de manutenção: aquele cuidado com o tesouro mais precioso que alguém poderia possuir. —  Emerson Mollin emersonmollin FollowUnfollow projetoautoralprojetorevelaçõesrecuperandoaessenciatumblrtizandoemerson mollinautoriasfrasescitaçõespensamentossentimentostrechoslivroslerescreverpalavrasliteraturatextosoutrosmeuspessoasviveridiotassilênciotristezadorpazfelicidadesorrirriramar 141 notes
                        Loading... Show more notes Reblog Prólogo



                        Não se deve julgar um livro pela capa e nem uma pessoa por sua aparência. Essa é uma frase muito usual, mas pouco praticada. Todos podem pensar que eu sou uma mulher burra, alienada, sem cérebro e quantos mais adjetivos qualificativos ruins quiserem por, mas eu estou longe de ser assim. Eu sou vaidosa, me sinto bem estando bonita e arrancando olhares, mas isso não significa que eu não posso equilibrar beleza com inteligência. Não é porque eu gosto de ser livre e viver tudo que a vida me oferece, que sou uma pessoa que não pensa no amanhã, pois eu penso e reflito muito e justamente por isso eu tenho à certeza que algo está muito errado, eu só apenas ainda não descobri o que está acontecendo.


                        Fui até a varanda daquele rebuscado quarto de hotel, um dos hotéis mais luxuosos de São Paulo, na verdade, do Brasil, hotel onde apenas se hospedava a casta da sociedade, pessoas infinitamente ricas e influentes, e cá estava eu, em um excelente quarto do mesmo, sentada no chão frio da varanda, olhando o céu negro da noite e fumando um cigarro, minha cabeça girava a mil, eu não sabia o que pensar, ultimamente tudo era estranho e parecia um quebra cabeça, eu apenas tentava a todo custo montar as peças. O motivo de toda minha inquietação era meu marido.

                        Eu conheci Adrien a quase três anos, ele era um homem bonito, de porte e que sabia como tratar uma mulher, dizem que lordes são inglês, porém o meu era francês e para completar, por um ótimo descuido do destino, poucos meses depois que nós conhecemos eu engravidei e nasceu meu pequeno Max que ainda é um bebê de um ano e meio. Adrien era um homem sério em oposição a mim, eu sou uma garota que ganhava a vida tocando em casas noturnas e fazendo Striptise na internet, com o corpo tatuado, cabelo descolorido e um senso de liberdade descomunal, já Adrien é um empresário, que passa horas do seu dia focado em trabalhar e fazer lucros, com noventa porcento do seu guarda-roupa formado de roupa social e terno e gravata. Ao menos era assim que ele era quando eu o conheci e até três meses atrás, porque hoje ele é apenas um homem completamente diferente.

                        Nos conhecemos em Las Vegas, aonde nos moramos, ou talvez apenas aonde nos morávamos, pois hoje eu já não tenho mais certeza de nada. Adrien é francês e eu sou brasileira, mas ambos não tínhamos vontade de sair dos Estados Unidos, apenas rodávamos nossos países para encontrar nossas famílias e logo regressávamos a nossa casa, mas novamente repito, era assim, hoje mais não.

                        Viemos para o Brasil fará três meses amanhã, a visita iria durar uma semana, tínhamos tudo programado, porém por algum motivo alheio a minha vontade e a minha ciência, até hoje não voltamos.  Adrien nunca podia se ausentar mais do que uma semana da empresa, pois segundo ele mesmo, quando ele não ia, nada lá funcionava, porém fazia três meses que ele nem em sombra passava pela empresa, porém ainda assim ele tinha dinheiro suficiente para manter um luxuoso hotel, um luxuoso carro alugado, comprar roupas caras e tudo mais que quisesse, aquilo era estranho demais. Da onde estava saindo esse dinheiro todo? Por que não querer voltar para os Estados Unidos? Entre outras, essas eram as principais perguntar que rondavam minha mente e me desinquietava.

                        Faz exato uma semana que perguntei Adrien sobre isso, sobre os reais motivos que o fazia querer permanecer no Brasil, o país onde ele mal sabia falar a língua corretamente, perguntei como ele ainda tinha dinheiro se nem mais com seu sócio o via falando, minhas dúvidas foi a chave para abrir a caixa de Pandora, Adrien ficou descontrolado, por um segundo pensei que ele me bateria, porém ele não foi tão longe, depois disso nossa relação apenas está funcionando na base da ironia da parte de ambos, raiva da dele e desconfiança da minha. Mas o mais estranho de tudo, é que mesmo assim, mesmo com o clima ruim, Adrien nem em sonho pensa em voltar para a América do Norte. Definitivamente algo estava muito errado e eu iria descobrir o que era, ou não me chamaria mais Clara Aguilar.

                        fanfic-clanessa-clara-van-blog FollowUnfollow fanficficclanessaclaravanessa 51 notes
                          Loading... Show more notes Reblog Eu precisava transbordar

                          Há quanto tempo não paro para escrever… sinto que me fechei.

                          Fechei o coração, de onde os versos fluem e talvez por isso calei, na alma todo sentimento, me sinto como alguém que comeu demais.

                          Comi muito sentimento, palavra por palavra, lágrima, por lágrima, esqueci os sonhos, num baú chamado peito, colecionei fotos, sms, momentos, beijos e abraços.

                          E talvez eu tenha medo sim de me abrir de novo, como as flores do ipês da avenida sinto que floresci, mas minhas flores estão no chão, caídas apos meu polem ser levado, levado pra longe pelo vento e espero q essa flor floresça, que enfeite o jardim de alguém.

                          Eu preciso que me diga que essas flores não vão morrer, que me diga que não serei a unica a regar. Por que eu tenho medo, meu bem, tenho medo de amar, tenho medo dessa caixa de pandora que são meus sentimentos.

                          Traga essa chave, me abra, regue meu jardim.

                          Natasha Maximiano

                          alguemquequerteubem FollowUnfollow textos 70 notes
                            Loading... Show more notes Reblog [...]

                            Sou bicho da natureza enquanto participar da cadeia alimentar
                            sou infinito em mim mesmo
                            enquanto souber disso
                            sou pele e ácaro
                            que cobrem uma caixa de pandora com toda incerteza do mundo
                            sou parede construida na areia do mar
                            que não tem certeza se cai hoje
                            amanhã
                            ou nunca
                            sou tempo e espaço do meu próprio universo paralelo
                            porque não sou um ponto
                            sou três

                            Higor manuscritus FollowUnfollow meus 171 notes
                              Loading... Show more notes Reblog

                              AL MEU PARE · A MI PADRE · FOR MY FATHER (1939-2014)

                              Ja mai més res serà igual. Ho sabia, ho sé, ho sabem tots. La mort és aquesta amiga indesitjable que ens visita puntualment quan ens arriba l’hora. Ens apareix i ens agafa de la mà i ens porta, per un camí sense retorn, cap a paratges sembrats de silencis pesants com roques de marbre, mentre els que quedem al món intentem omplir les absències amb la raó, enganyant-nos amb pensaments falsaments reconfortants que mai no seran capaços d’omplir el profund esvoranc que portarem al cor la resta de la nostra existència.

                              La vida, ara, encara serà més dura. També ja ho sabia, que seria així. Tot serà una mica més difícil i hauré de treure coratge —un coratge inexistent, tanmateix— de les parts més remotes de les cèl·lules de l’organisme fent servir alquímies secretes, inefables, gairebé impossibles.

                              Més que mai em sent un rodamón a qui els saltejadors han assaltat en un camí perdut enmig del no-res i que han deixat nu dins una natura inhòspita. Em miro i em veig amb les mans desertes, buides; em miro i em veig que tot el meu interior s’ha convertir en una caverna obscura plena d’ecos de fosca. Però també veig, dins la profunda tristesa, una part de llum càlida, plena d’agraïment, que m’han mostrat, que m’han demostrat, tots els que vertaderament m’estimen, i a la qual m’he aferrat i m’ha permès mantenir el cap fora de les fosques aigües. També, ara, em veig a mi d’una altra manera, com si sortís del cos físic em pogués analitzar amb més detall i conèixer com sóc vertaderament… i ara, més que mai, sé que sóc així com sóc perquè per les venes em corre la mateixa sang que a tu t’omplia el cos i sé que sóc així com sóc perquè tu em vares modelar de la mateixa manera que el terrissaire fa néixer una eina d’un pilot de fang sense forma.

                              He heretat molt de tu. Potser tots els de casa ho hem fet: les ganes intensíssimes de fer coses, moltes de coses, de no aturar-nos davant les adversitats; de saber acceptar —i superar— les derrotes, les nombroses derrotes; d’intentar viure sempre amb la vista posada en el futur, amb prudència sí, perquè sabem que mai les coses són tal fàcils com suposem, però també amb il·lusió i esperança; hem après a intentar fer servir el seny —un seny antic, que ja corria per les venes dels avis— basat en la senzilla lògica de la supervivència sense passar per damunt els que ens rodegen. Hem après a ajudar els demés, però mai abandonar-nos. Hem après a demanar perdó, una i mil vegades si era necessari, quan el nostre geni —terrible com una caixa de Pandora, es destapava i ho malmenava tot com una pandèmia—. Hem après a ser una mica franctiradors de la vida, a fer-nos advocats de l’impossible, i anar al nostre propi so intentant compensar el gran desequilibri entre la grandiloqüència que tant ens agrada amb el viure i el deixar viure. Hem après a no fer-nos por de fer el més espantós dels ridículs, d’oferir-nos per tirar endavant allò que ningú volia fer. I fracassar. I fracassar. I alguna vegada triomfar i llavors sentir-nos una part útil de l’engranatge de l’univers. Hem après a estimar les persones, i a intentar ser agraïts sempre… I hem après, sobretot, llibertat. Una llibertat practicada amb l’exemple: mai no ens obligares a res, mai no ens condicionares. Ens deixaves fer, sempre ens has deixat pensar per nosaltres mateixos.

                              En un dels teus darrers moments, quan et tenia la cara, el cos entre les mans i pel cap ja m’ha passat l’inevitable, he tingut la impressió que la resta de la meva vida em quedaria al cervell la imatge dolorosa, tràgica. I ho ha estat, dolorós, ho ha estat, tràgic. Però juro pels déus que per a mi ja és la imatge més dolça, més plena d’amor, que fins ara mai no han vist els meus ulls.

                              Gràcies, pare.

                              Foto: circa 1950

                              bdesannorat FollowUnfollow 62 notes
                                Loading... Show more notes Reblog caixa de Pandora

                                sou caixa de Pandora semi-aberta. poucos dos meus males já foram libertados por aí. mas ainda há aqueles que hesitam em sair: não se sabe se piores que os anteriores, mas não demorarão à sair. sou caixa de Pandora que não fora cuidada como devia. passada de mão em mão; coletando de cada pessoa aquilo de mais ruim.coletando de todos aqueles que permitiam a sua essência negativa, suas dores, lamúrias e rancores. permanecem aqui até então. não devo ser aberta, em hipótese alguma. as dores que em mim habitam já fizeram mal o bastante: em mim enfraquecem, mas de fronte àqueles que as possuíram crescem, alimentam-se. alimentam-se do medo e do desespero. não as deixe sair, amor. cuide bem de mim, proteja-me, guarde-me. permaneça-me trancada: sou imune a tais dores, mas não quero vê-las em ti. 

                                K X

                                torpeci FollowUnfollow meuscaixa de pandorapandoraalvorotar sobre si mesmo 70 notes
                                  Loading... Show more notes Reblog Ele morreu esperando… — 

                                  Pois acreditou que a esperança é a ultima que morre.

                                  - Sempre ao seu lado -

                                  plinkplik-blog-blog FollowUnfollow cachorroanimalesperançacaixa de pandora 16 notes
                                    Loading... Show more notes Reblog p-a-n-do-r-a FollowUnfollow box of pandorablack whiteb&wcaixa de pandorarocktattoogirlwomanwomensexycarol é linda 15 notes
                                      Loading... Show more notes Reblog fairymmystical FollowUnfollow Princesaprincesspandoracaixa de pandoraPinturasDesenhosconto de fadascontoscronicasMagicmagiamagicabox 10 notes
                                        Loading... Show more notes Reblog Nunca me perguntaram quem eu verdadeiramente sou. Nem que eu finjo ser. Nunca ninguém me amou, e eu sempre amei algumas pessoas mais do que deveria. Nunca se importaram com minhas lagrimas, nem quiseram saber o motivo das mesmas. Nunca ninguém me perguntou algo além do meu nome, de onde sou e minha idade. Nunca quiseram saber do meu passado, ou o que quero para o futuro. Não me conhecem. Ninguém conhece, nem eu. As pessoas não sabem das noites que passo em claro chorando, ou das vezes que rio com vontade, não sabem meus segredos, o que as paredes da minha alma escondem. Não sabem nada, absolutamente nada da verdadeira Eu. Sabem o necessário para me taxar de varias coisas.
                                        Ninguém sabe da menina medrosa, carente, sozinha, insegura e orgulhosa que sou. Ninguém sabe o porquê de me importar tanto com beleza. Nunca me perguntaram. Não se importam com o medo que tenho de não ser aceita pelas pessoas. Não se importam com o medo que tenho de não fazer algo importante. Ninguém sabe. Ninguém quer saber de nada disso.
                                        Eles sabem o que importa pra eles, sabem sobre as piadas deles que eu rio, sobre as broncas que ouço. Sobre minhas notas na escola, sobre os professores chatos que faço piadas sem graças sobre eles. Sabem onde estudo, onde moro, minha idade, meu nome. Sabem, talvez, que minha matéria preferida é de longe português, mas que sou péssima na mesma. Mas eles não sabem o mais importante, não sabem do meu amor pela escrita, não sabem que amo series policiais, romance, pipoca com nutella. Não sabem que não sou fã de filmes de comedias, e que amo ver Harry Potter. Não sabem, por que não querem saber, são coisas obvias. Coisas que pequenas perguntas e observações desvendam, mas eles não querem saber. E não vão saber.
                                        Talvez seja isso, talvez eu seja uma caixinha de surpresas esperando pela pessoa ansiosa que vai abri-la louca pra desvendar todo seu interior. E eu vou gostar da bagunça que essa pessoa vai causar, mas vou odiá-la por invadir meu território, e me deixar “nua”, sem segredos, sem mistérios, sem mim, pois o dia que uma pessoa me desvendar, eu serei dela, meus segredos serão dela, meus mistérios serão dela. Essa pessoa será minha e eu serei dela. Espero que por ai exista alguém doido pra desvendar uma menina tão confusa e cheia de luas. —  Caixa de pandora  mineira-a FollowUnfollow autoriassegredoscaixa de pandoramisteriosmedoshpslogans 8 notes
                                          Loading... Show more notes Reblog
                                          pandora guld
                                          pandora offizielle Website
                                          pandora à venda
                                          pandora nettsted
                                          клипы пандоры
                                          Horizonte
                                          Seja bem vindo ao

                                          Maior armarinho virtual do Brasil

                                          Meu Carrinho
                                          • Pague em até 6x sem jurosNas compra com cartão de crédito
                                          • Frete grátis Sul, Sudeste & DFNas compras acima de R$ 199.00
                                          BannerTopoDireito

                                          por José António Baço

                                           



                                          Palmadinhas no rabiosque

                                          Pai e filho portugueses.
                                          Filho - Pai, o que é rabiosque?
                                          Pai - É uma forma carinhosa de falar do rabo.
                                          Filho - Rabo, pai? Como os animais?
                                          Pai - Não, filho. Rabo é o cu...
                                          Filho - Mas cu não é palavrão, pai? O meu amigo brasileiro diz que é...
                                          Pai - No português de Portugal é uma palavra normal. É como dizer bunda. Não há maldade.
                                          Filho - E para que servem as palmadinhas? Os rapazes mais velhos vivem falando em dar "tau-tau" no rabiosque das gajas.
                                          Pai - Ah, filho, isso é uma mania dos rapazes. Eles acham que as mulheres gostam mais do sexo se levarem palmadas no traseiro.
                                          Filho - Hummm... o sexo pode ser bom se tem palmadinhas?
                                          Pai - Na maioria das vezes é...
                                          Filho - Não parece. Pelo menos quando a mãe ameaça me dar umas palmadas no rabo.
                                          Pai - Ora, isso não tem a ver com sexo. Não é a mesma coisa quando se ameaça dar uns sopapos nos putos. Aí é para castigar.
                                          Filho - Se eu sou puto, então sou filho da...
                                          Pai - Não digas disparates. Puto só serve para chamar os meninos. Não vale para as mulheres e as raparigas.
                                          Filho - Mas rapariga não é o mesmo que puta?
                                          Pai - Claro que não.
                                          Filho - O meu amigo brasileiro disse que no Brasil é...
                                          Pai - Precisas deixar de andar com esse brasileiro. Esse totó não conhece a língua.
                                          Filho - Deve conhecer. Ele diz não gosta de língua de veado...
                                          Pai - Qual carapuça!
                                          Filho - ... que não põe uma língua de veado na boca.
                                          Pai - Língua de veado é uma delícia. É um dos nossos doces mais gostosos. Esse brasileiro é um marmelo, só dá calinadas.
                                          Filho - Por falar em marmelo, o que os tapinhas no rabiosque têm a ver com a marmelada?
                                          Pai - Bem... os jovens gostam muito de ficar na marmelada. Às vezes pode acontecer um tapinha ou outro.
                                          Filho - Mas marmelada não é aquilo que vem na lata?
                                          Pai - Também. Mas neste caso é a intimidade entre o casal. Um beijinho aqui, uma mão ali, um apertão acolá... marmelada é o que os brasileiros chamam "dar um amasso".
                                          Filho - Pai, posso pedir um favor?
                                          Pai - Sim, filho. O que é?
                                          Filho - Quero ir para a escola de coreano. Falar português é muito complicado.
                                          É como diz o velho deitado: "Eu, por exemplo, falo o português em dois idiomas".

                                          Histórias de bichas

                                          Talvez o leitor já saiba, mas em Portugal a palavra bicha pode indicar uma inocente fila. É um lugar onde, por estarem à espera, as pessoas têm tempo para conversar ou para ouvir conversas. Os dois episódios que narro a seguir são verdadeiros e mostram as dificuldades criadas pelas diferenças da língua. E o sempre lamentável preconceito.
                                          1. Na bicha do supermercado - Um brasileiro, um bocado espalhafatoso, está próximo do caixa. Mais atrás, um sujeito, com cara de quem quer "levantar uma lebre" (criar problemas), toca no meu ombro e dispara algo assim:
                                          - Já viu? Isto aqui agora é só brazucas. Em todos os lugares há sempre um "fatela" (pessoa sem valor) desses.
                                          Que roubada. Se respondesse, o homem ia perceber o meu sotaque brasileiro. Achei melhor evitar chatices e respondi, tentando parecer um português comum:
                                          - Poissss
                                          Mas o homem estava a fim de "dar ao badalo" (falar). E o tal brasileiro deu uma valiosa colaboração, porque os seus trejeitos efeminados chamavam a atenção. O homenzinho não se continha:
                                          - Está a ver? E agora também vêm os "panascas" todos.
                                          Panasca deve ser uma corruptela de "paneleiro", a palavra mais usada aqui na terrinha para identificar os homossexuais.
                                          Para evitar conversa, mantive a estratégia monossilábica:
                                          - Poissss
                                          Mas o homem, "armado em carapau de corrida" (se achando melhor que os outros), não desistia:
                                          - Esses brasileiros, ainda mais os "larilas" (maricas), deviam ser todos expulsos.
                                          Já farto de tanto besteirol, respondi com o meu melhor sotaque caipira.
                                          - Sim sôr, os brasileiro num presta mesmo.
                                          O homem, com a maior cara de tacho, abaixou a cabeça e finalmente fechou a matraca.

                                          2. Na bicha do banco - A moça, com sotaque mineiro, vai até a caixa e reclama.
                                          - O dinheiro que eu enviei para a minha amiga não chegou.
                                          O rapaz do banco responde.
                                          - Não é possível. Estava tudo certo. Mas, por via das dúvidas, vamos conferir os dados. Qual é o nome dela?
                                          - Maria Emília
                                          - E o apelido?
                                          - Mila.
                                          - Mas é o que consta aqui, Maria Emília Mila. Não entendo por que o dinheiro não chegou.
                                          - Mas o nome dela não é Maria Emília Mila. É Maria Emília Silva.
                                          - Desculpe, mas a senhora acabou de dizer que o apelido era "Mila".
                                          - Sim. O apelido é Mila.
                                          - Afinal, é Mila ou Silva, minha senhora?
                                          - O apelido é Mila. O sobrenome é Silva.
                                          Dispensável dizer que a moça, provavelmente recém-chegada, não sabia que em Portugal "apelido" é o sobrenome da pessoa.
                                          É como diz o velho deitado: "Que 'argolada'. Ou, traduzindo: que mancada".

                                          José António Baço, jornalista e publicitário.

                                          24 - Vão bugiar, senhores deputados

                                          "Vá bugiar" é uma das expressões mais saborosas do português de Portugal. A gente pega fácil. É uma espécie de "vá à merda", mas com alguma sutileza (ou subtileza, como se escreve por aqui) porque não faz referência explícita aos excrementos.
                                          Os leitores brasileiros - em especial os gaúchos - serão capazes de estabelecer uma ligação com a expressão "guerra de bugio". Para os que não sabem, o bugio é um macaco que, quando entra numa briga, defeca na própria mão e atira a porcaria para cima do adversário.
                                          É mais ou menos o que está acontecendo em Brasília, depois que o deputado Roberto Jefferson decidiu abrir a "boceta de Pandora" (calma, sem escândalo, porque é assim que os portugueses dizem "caixa de Pandora"). O Congresso Nacional se tornou palco de uma malcheirosa guerra de bugios. É "trampa" para todo lado. Trampa? Ah... é uma expressão popular portuguesa usada para falar em fezes.
                                          O mais divertido é que um deputado "vai aos arames" com outro (perde a compostura), mas não perde o decoro:
                                          - Vossa excelência é um canalha.
                                          O outro devolve na mesma medida:
                                          - E vossa excelência é corrupto e ladrão.
                                          Não é estranho? Para dizer as piores barbaridades é preciso usar um tratamento respeitoso. O tipo pode ser canalha, corrupto ou ladrão, mas tem de ser chamado de "vossa excelência". Excelente.
                                          Aliás, ladrão é uma palavra que os brasileiros usam mal. O sujeito que rouba no baralho é ladrão. O árbitro de futebol que "faz habilidades" (mete a mão no nosso time) também é ladrão. Mas é uma palavra pesada. Essas pessoas não podem ser colocadas no mesmo balaio que um político do mensalão. É injusto. Os portugueses têm expressões mais amenas. O árbitro é gatuno. E quem trapaceia no jogo é "batoteiro" (batota tem uma sonoridade quase lúdica).
                                          Mas por falar em mensalão, o neologismo também entrou para o vocabulário aqui da terrinha. Um dia destes ouvi num noticiário de rádio:
                                          - A PT nega financiamento ao mensalão do PT.
                                          É que o tal Marcos Valério meteu a Portugal Telecom, que os portugueses conhecem como PT, "ao barulho" (pôs na confusão). Pelo que entendi, o publicitário veio a Portugal tentar arrancar uma grana aos administradores da telefônica e, como não conseguiu, acabou por ir ouvir fado e comer um bom bacalhau.
                                          E já que o assunto é esse, vamos torcer para que a história do mensalão não fique "em águas de bacalhau". Ou, traduzindo para o brasileiro, que os culpados sejam punidos e que a coisa não acabe em pizza.
                                          É como diz o velho deitado: "É tiro dado e bugio deitado".
                                          José António Baço, jornalista e publicitário

                                          23 - As idas e vindas da indústria do sexo

                                          Há coisas que se repetem nas viagens que tenho feito entre Portugal e o Brasil. E têm se tornado cada vez mais freqüentes com o passar dos anos. Um fato que chama a atenção na viagem de ida são homens que nitidamente vão ao Brasil para fazer turismo sexual. É fácil reconhecê-los. E nas viagens de volta os vôos estão sempre repletos de mulheres jovens, muitas vezes sozinhas, que vêm para a Europa tentar a sorte (para muitas não passa de um grande azar).
                                          Da Europa para o Brasil - Não é preciso fazer teses de sociologia ou pesquisas de campo para identificar o turista sexual nos vôos. Parece que os sujeitos trazem as intenções escritas na testa. O perfil da maioria é mais ou menos definido. Um dos sinais mais inequívocos é o fato de muitas vezes andarem em grupos, sempre muito alegres. Outro indício é que são homens aparentemente solteiros, ou que deixam as mulheres em casa e vão para a farra. São quase sempre de meia-idade e com níveis de educação baixos para os padrões europeus. Ah... quase sempre têm uns quilinhos a mais e aquela barriguinha protuberante a denunciar a decadência física. Nada ficam a dever aos deuses da beleza, claro.
                                          É uma autêntica "festa" para esses homens. Porque levam os bolsos carregados de euros, uma moeda muito forte se comparada ao real, e isso lhes dá poder de "compra". Ou seja, podem ter as prostitutas que quiserem e, por estarem longe de casa, têm a vantagem do anonimato. E contam com a conivência e mesmo cumplicidade dos locais - donos dos hotéis, agências de viagens ou mesmo o simples taxista -, que sempre podem dar um "jeitinho" de lhes conseguir boa companhia a bom preço.
                                          Do Brasil para a Europa - Dá pena ver certas moças que vêm para a Europa na crença de que estão a ser contratadas para um trabalho decente e que vão ganhar bons salários. Nem sempre é assim (quase nunca no que se refere aos salário). Há aquelas que acabam na prostituição. Umas por livre vontade, outras sem querer. É este segundo caso o mais preocupante, porque indicia o tráfico e exploração de seres humanos.
                                          Muitas vezes essa moças vêm sozinhas, indefesas, com a passagem paga pelos futuros patrões. Pensam que vão ser garçonetes, trabalhar numa indústria ou coisa assim. Mas o pesadelo começa quase sempre da mesma maneira: têm de pagar a passagem com o trabalho e a primeira coisa que os "empregadores" fazem é tirar-lhes o passaporte. O problema é que o trabalho é a prostituição. Há relatos publicados na imprensa dando conta de que essas mulheres chegam a ter de fazer até 15 "programas" por noite.
                                          Os números não mentem. Segundo um relatório da Organização Internacional de Migrações, cerca de 75 mil mulheres brasileiras são prostitutas na Europa. O principal ponto de entrada é Portugal, uma vez que os brasileiros têm certas facilidades para chegarem no país. O tráfico é feito por quadrilhas especializadas em contactar essas mulheres no Brasil e "proteger o investimento" na Europa. Os caras formam verdadeiras máfias que se apossam totalmente das vidas delas. Sem conhecidos, sem dinheiro, sem documentos e ameaçadas de morte caso tentem fugir... só lhes resta aceitar a prostituição.
                                          Turistas sexuais para o hemisfério Sul. Prostitutas para o hemisfério Norte. É a indústria do sexo pela lógica da globalização e da abertura dos mercados. Ou seja, o mais forte fode com o mais fraco.
                                          É como diz o velho deitado: "Parece que para os poderosos do mercado a dignidade humana é mercadoria sem nenhum valor".
                                          José António Baço, jornalista e publicitário

                                          22 - Os neonazistas não gostam de mim

                                          Se está publicado... é público.
                                          Mas hoje em dia, em tempos de Internet, o texto pode chegar aos lugares mais surpreendentes. Um dia destes fui alertado por um e-mail a recomendar que visitasse um certo blog:
                                          - Tem uma crônica tua lá. Mas acho que não vais gostar. Lê os comentários...
                                          Fui ao tal blog e vi que realmente havia um texto meu, publicado aqui neste espaço faz algum tempo. Era uma crônica que, em tom de brincadeira, ensinava uns "truques" aos brasileiros que quisessem imigrar para Portugal. E recomendava que tentassem parecer com os portugueses:
                                          - A melhor maneira é desaparecer na multidão, tentar ficar o mais parecido possível com os nativos.
                                          E, claro, exagerava alguns estereótipos dos portugueses. Ter bigode, cuspir no chão, andar com os pêlos do peito à mostra. Tudo na brincadeira.
                                          Mas os idiotas não têm senso de humor. E ninguém consegue ser mais idiota do que um neonazista. O tal blog era freqüentado por alguns desses skinheads imbecis que andam por aí a defender a tal "raça branca" e querem ver os estrangeiros fora da Europa.
                                          Os comentários feitos por eles, como era de esperar, destilam ódio e violência. E como os textos contêm ofensas pessoais, vou reproduzir aqui apenas as partes mais genéricas. É o suficiente para perceber o grau de indigência mental desses cretinos.
                                          O sujeito mais incomodado, que assina com o singelo nome de Adolf4Ever, não economiza palavrões (por isso a transcrição que segue está cheia de pontinhos):
                                          - Brasileiros filhos da p..., vêm pra cá f... com esta m... toda. Sim, porque são um bando de marginais e criminosos. E ainda por cima tratam mal quem os acolhe. Filho de uma p... Volta pra casa, nojento.
                                          Ah... o Adolf não sabe que eu sou português.
                                          Outro sujeito, que assina com o nome Xixaboi, exacerba o seu ódio contra os brasileiros:
                                          - Desgraçados, hipócritas e ingratos! Houve um tempo em que ainda pensava que os brasileiros seriam gente... Mas chego à conclusão de que não passam de ladrões, paneleiros e p...
                                          Paneleiros, fique a saber, são homossexuais.
                                          E a malhação continua. Um tal Micas dá um jeitinho de falar também nos africanos, que estão sempre na mira dos neonazistas:
                                          - Brazucas dum cabrão, nunca vi maiores calões. Não querem fazer a ponta de um corno. São piores que os pretos. O vosso sustento são as vossas mulheres, essas p... que vêm para cá atacar para vos encher o c..., seus paneleiros.
                                          Eu traduzo. "Calões" significa folgados, pessoas que não gostam de trabalhar. Não fazer a "ponta de um corno" é não trabalhar. "Atacar" é ir para a prostituição. "Encher o c...", neste caso, significa ganhar dinheiro.
                                          E até uma professora chamada Shana (sem risos, por favor) entrou na dança:
                                          - Até hoje discordei de quem vos apelidava de ingratos. Mas estou a rever as minhas teorias. É que, enquanto eu sou professora e me mato a trabalhar para conseguir ter alguma coisa, vocês chegam aqui e é só facilidades. Mas acho que até tem razão. Deus deu-vos boas bundas. Para alguma coisa deve ter sido!
                                          O que dizer? Essa gente não gosta dos meus textos. Só posso sentir orgulho.
                                          É como diz o velho deitado: "Você não gosta de mim? Ainda bem".
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          21 - Manual de etiqueta luso-brasileiro

                                          O encontro de culturas é sempre fascinante. Mas o entrecruzamento de diferentes estilos de vida pode provocar situações esquisitas: o que é válido para um lugar pode ser uma tremenda mancada no outro. Para estabelecer uma ponte entre as culturas brasileira e lusitana, uma vez que hoje em dia há um grande intercâmbio entre os dois países (e aproveitando que a crônica é reproduzida no site português www.), apresento aqui dois breves manuais práticos de etiqueta.
                                          Conselhos para um brazuca não se dar mal em Portugal:
                                          1. Não fique a repetir que "no Brasil é melhor", como fazem muitos brasileiros (aliás, já passam de 100 mil em Portugal). É como cuspir no prato em que se come. Aliás, se fosse melhor, por que imigrar?
                                          2. Nunca saia à rua de agasalho (os tugas chamam "fato de treino"). Não importa se você é desportista e no Brasil sempre se vestiu assim. Em Portugal é roupa de pé-de-chinelo. Ir ao supermercado de agasalho é herético. Ah nunca use meias brancas, mesmo com tênis, porque será chamado "pé-de-gesso". Gafe imperdoável.
                                          3. Não use fio dental à frente das pessoas. O português médio não é propriamente fã dessa prática higiênica e muitos consideram nojento ver alguém a limpar os dentes assim.
                                          4. Tenha cuidado com as promessas que faz. Os portugueses acham os brasileiros simpáticos, mas ficam sempre com um pé atrás. Existe um certo estereótipo de que os brasileiros são "intrujas" (tremendos 171). E onde há fumaça há fogo.
                                          5. O jeitinho brasileiro, como o nome diz, só é válido no Brasil. É certo que os portugueses têm uma versão parecida (a que chamam desenrascanço), mas a lógica é diferente. Tome cuidado, porque em Portugal o jeitinho brasileiro pode dar sérias dores de cabeça.
                                          Conselhos para um tuga ser baril no Brasil:
                                          1. Nunca assoe o nariz em público, especialmente à mesa. É comum para os portugueses, mas não há nada mais nojento para um brasileiro (ainda mais com efeitos sonoros). É mesmo ofensivo.
                                          2. Atenção. Ao contrário do estereótipo, as brasileiras não são todas putas. Portanto, para evitar qualquer saia-justa (complicação), não acredite em todas as histórias que lhe contaram. Respeito é bom.
                                          3. Beber caipirinha durante as refeições, como fazem alguns portugueses nas churrascarias, é para os pacóvios. A caipirinha bebe-se antes das refeições.
                                          4. Não conte para ninguém que come caracóis com cerveja. Para um brasileiro, a idéia de comer caramujos faz arrepiar até a alma.
                                          5. Não cuspa no chão quando está a andar pela rua (ou mesmo quando está em ambientes fechados), como é comum. Por mais normal que isso lhe pareça em Portugal, não é algo a que os brasileiros recebam bem.
                                          É como diz o velho deitado: "Tudo pelo social".
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          20 - Sem medo de ser feliz
                                           
                                          Redator sofre.
                                          Ou, em bom português, copywriter sofre (sim, em Portugal falamos português).
                                          Há algum tempo fiz uma campanha publicitária em que usava o conceito de “ser feliz”. Mas quando apresentei os anúncios ao account (sim, em Portugal falamos português), o gajo quase se “atirou ao ar” (teve um treco) porque não concordava nadinha com a idéia. Essa coisa do “ser feliz” simplesmente não entrava nas categorias mentais do sujeito. E eu, “vendo a coisa mal-parada” (a coisa estava ficando feia), tentei defender o conceito.
                                          - Ora, no fim das contas, o que todo mundo quer é ser feliz.
                                          E ele, muito seguro das suas convicções, estabeleceu as diferenças.
                                          - O cliente não vai nessa conversa. Isso funciona bem no Brasil, mas aqui as coisas são diferentes. As pessoas não gostam desses floreados.
                                          Eu insisti nos tais floreados, até porque o deadline (sim, em Portugal falamos português) não permitia tempo para mudar, e a campanha acabou sendo apresentada ao cliente com esse conceito. Mas o certo é que o tal account nunca “gramou” (gostou) a coisa. E nem precisou, porque no final a campanha não avançou. Nem foi pela proposta criativa, mas por problemas de budget (sim, em Portugal falamos português).
                                          Não se pode generalizar, porque é um caso esporádico, mas isso revela uma outra forma de encarar a vida. É uma questão cultural e também da história de cada país. Quem tenha estado no Brasil em 1989, na época das primeiras eleições diretas para Presidente da República, certamente desde então está familiarizado com a expressão “sem medo de ser feliz”, do jingle de Lula. Afinal, a coisa caiu na boca do povo. O “ser feliz” é natural para os brasileiros que, como diz a música, são uma “gente que ri quando deve chorar”. Mas não é o mesmo para um português. Porque o novo-riquismo lusitano associa a felicidade a ter um carrão, um apartamentão e outros “ãos” que o dinheiro pode comprar.
                                          Aliás, quando retornei a Portugal (lembrem que sou português) há mais de uma década, fiz um trabalho onde inadvertidamente usei a expressão “alto astral”. Que foi logo “chumbada” (reprovada). O problema é que naqueles tempos pouca gente conhecia a coisa ou sabia do seu significado. Foi uma falha minha, claro. Não era um código partilhado e, compreensivelmente, não servia para a publicidade.
                                          Mas há uma situação que merece uma análise mais atenta. Os neologismos surgem no momento em que há a necessidade de verbalizar alguma coisa. As palavras descrevem sensações. Os brasileiros acabaram por criar a expressão “alto astral” para nominar um determinado estado de espírito. O mesmo não acontece com os portugueses. O mais preocupante é que não há uma expressão similar. Quer dizer, é um estado de espírito que nunca precisou ser verbalizado. Talvez porque não exista.
                                          Ainda recentemente o ex-Presidente da Câmara de Lisboa (prefeito), ex-Primeiro Ministro e atual Presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, usou a expressão para identificar o Bairro Alto (“Bairro Alto Astral”), uma das zonas mais efervescentes da cidade. Não por acaso, os marketeers (sim, em Portugal falamos português) que assessoram o político são brasileiros. Mas a coisa soa a falso.
                                          Os portugueses dirão:
                                          - Qual carapuça (é uma expressão de incredulidade), isso é treta (conversa para boi dormir).
                                          Mas o fato é que os portugueses são considerados um povo deprê. A prova disso é que são os segundos maiores consumidores de antidepressivos – e outros remédios para a carola (cabeça) – da Europa. E era possível escrever teses psicanalíticas ou sociológicas, mas a melhor maneira de perceber as diferenças entre brasileiros e portugueses vem da publicidade e tem a ver com as bebidas alcoólicas. Há uma assinatura obrigatória por lei.
                                          Em Portugal é assim: “Seja responsável. Beba com moderação”.
                                          No Brasil é assim: “Seja responsável. Aprecie com moderação”.
                                          Perceberam? Uma única palavra pode denotar a forma como se encara a vida.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          19 - Ora, vão plantar batatas

                                          Deixe ver se eu entendi.
                                          O tal agronegócio representa cerca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. As exportações batem recorde atrás de recorde e dão uma contribuição decisiva para o equilíbrio da balança comercial. É um dos setores da economia que mais gera empregos.
                                          Que fartura.
                                          Mas se é assim, por que ainda há tanta gente a passar fome no Brasil? E por que os nossos produtores estão sempre a se queixar da falta de rentabilidade do negócio? É o que permite falar na distorção das relações comerciais entre as nações do hemisfério Norte e do hemisfério Sul. Todo mundo sabe que os países ricos protegem a sua produção e impõem barreiras aos pobres. Mas esse é um tema que deixo para os economistas, os sociólogos ou os políticos.
                                          A ideia é mostrar, de forma prática, alguns resultados dessa distorção.
                                          Quando deixei o Brasil, há mais de uma década, uma das preocupações era deixar de ter algumas coisas às quais estava acostumado. Saborear uma manga. Tomar uma caipirinha. Comer uma picanha. O lado bom é que essas coisas existem por aqui. Mas são caras, muito caras. E convido o leitor para ir a um supermercado comum comprar produtos brasileiros (os preços convertidos para o real):
                                          - Picanha (kg): R$ 61,45
                                          - Vazia (kg): R$ 38,64
                                          - Camarão médio/pequeno (kg): R$ 37,55
                                          - Manga (kg): R$ 15,69
                                          - Limão galeguinho (kg): R$ 5,09
                                          - Goiaba branca (kg): R$ 24,62
                                          - Mamão (kg): R$ 10,22
                                          - Carambola (kg): R$ 34,20
                                          - Mandioca (kg): R$ 8,82
                                          - Coco fresco (kg): R$ 11,93
                                          - Palmito (lata de 800 gramas): R$ 20,14
                                          - Farinha de mandioca (kg): R$ 6,08
                                          - Guaraná (lata): R$ 1,57
                                          - Água de coco (caixinha): R$ 2,90
                                          - Leite de coco (vidro): R$ 6,80
                                          - Cachaça (700ml): R$ 23,76
                                          - Goiabada (400 gramas): R$ 7,83
                                          - Geléia de goiaba (vidro pequeno): R$ 4,75
                                          Não é preciso escrever teses acadêmicas. As distorções são claras. O leitor, mesmo aquele não habituado às prateleiras dos supermercados, certamente percebeu que os preços são absurdos quando comparados ao Brasil. Mas quem deve ficar com uma grande dor-de-cabeça são os produtores, que vendem o que produzem por uma bagatela no Brasil e depois se deparam com os preços supervalorizados no exterior. É a velha história: produzimos soja, milho e outros grãos a preços ridículos para engordar porcos e gado confinado nos Estados Unidos, Europa e Japão. E enquanto isso temos gente a morrer de fome no Brasil.
                                          É como diz o velho deitado: "Ora, vão plantar batatas".
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          18 - Compre uma casa em Portugal,
                                          ganhe outra grátis no Brasil

                                          Faz alguns dias, quase me "caíram os tomates ao chão" (fiquei boquiaberto) quando vi a matéria na televisão. Uma empresa de construção civil estava vendendo apartamentos de luxo na região de Lisboa e, para estimular as vendas, desenvolveu uma promoção "bestial" (formidável): quem comprasse um imóvel em Portugal ganhava, grátis, uma casa de praia no Nordeste brasileiro.
                                          É certo que o marketing anda cada vez mais inventivo, mas a tal promoção era de "cair de cu" (ficar estupefato), porque a casa que vinha de brinde era praticamente uma mansão. Ah... antes de continuar, um alerta aos leitores mais pudicos: em Portugal a palavra "cu" é usada inocentemente, sem qualquer maldade. É mais ou menos como bunda no Brasil.
                                          Mas é uma promoção "do caraças" (essa o leitor entende fácil). A explicação é simples: os preços das casas em algumas regiões do Brasil são quase quatro vezes menores do que em Portugal. Um exemplo prático: com R$ 300 mil o leitor é capaz de comprar um apartamentaço de frente para o mar em Balneário Camboriú. Mas com esse mesmo dinheiro vai ter de "suar as estopinhas" (se esforçar muito) para comprar um apartamentozinho de "duas assoalhadas" (um quarto) nas zonas periféricas de Lisboa.
                                          Uma casa, então, nem pensar, porque vai custar uma "pipa de massa" (muito dinheiro). Os portugueses chamam "casa" o que os brasileiros chamam apartamento. E chamam "vivenda" o que os brasileiros chamam casa. Há uma diferença fundamental: as casas têm garagem, os apartamentos não. Como a maioria das pessoas mora em prédios, os carros ficam estacionados sobre as calçadas. E quem quiser comprar uma garagem tem que "abrir os cordões à bolsa" (soltar a grana) porque os preços são absurdos.
                                          O negócio imobiliário entre os dois países é tão promissor que já há uma autêntica revoada de construtores para o Brasil. E revoada é o termo certo, porque os sujeitos são conhecidos como "patos-bravos". Quem são essas personagens? Num retrato ligeiro, podemos dizer que são cheios de "bago" (bago é dinheiro, nada a ver com as partes masculinas), mas muito "parolos" (bocós) e com pouquíssima preocupação com os patrimónios histórico e natural.
                                          A sanha dessa gente não perdoa: enquanto houver um palmo de terra vazio, lá estará um pato-bravo pronto a erguer um "mamarracho" (uma construção tão feia quanto a palavra). O problema é que há cada vez menos chão para construir em Portugal. O país tem quase uma casa por família (1,38 habitação por família) e a percentagem de proprietários chega a 76%.
                                          O pato-bravismo é um inferno. E é assustadora a idéia de vê-los a migrar para o Brasil. O leitor lembra das dez pragas do Egito? Algumas tinham a ver com animais e insetos: a invasão das rãs, a invasão dos piolhos, a invasão das moscas ou a invasão dos gafanhotos. Pois isso é fichinha. Porque a praga dos patos-bravos pode produzir uma devastação ainda maior que todas essas outras pragas juntas.
                                          É como diz o velho deitado: "Com a especulação imobiliária, a natureza é que paga o pato". José António Baço - Professor e publicitário

                                          17 - Tudo o que você queria saber sobre o sexo e não tinha a quem perguntar

                                          Dizem que a linguagem do sexo é universal. Mentira. Pelo menos quando a língua é o português a coisa não funciona, porque os "jargões" do sexo de Brasil e Portugal têm um oceano de diferenças.
                                          A começar pelo começo de tudo, quando o "gajo" (o cara) põe os olhos na gaja e fica louco para lhe "saltar para as cuecas" (ter sexo, em brasileiro). Cuecas? Sim, porque em Portugal as mulheres não usam calcinha, mas cuecas. Diga lá, amigo leitor, se não é estranho ir para a cama com alguém e ter que lhe tirar as cuecas? Há quem use "cuequinhas" (ah... a palavra é usada sempre no plural), um termo menos agressivo mas ainda assim capaz de deixar o mais liberal dos brasileiros com uma pulga atrás da orelha.
                                          Mas cueca lembra "queca", outra palavra típica aqui da terrinha e que em bom brasileiro significa transa. Mas em Portugal as quecas têm as suas esquisitices. A começar pela expressão que se relaciona com o orgasmo. Quando uma pessoa está a ter um orgasmo, ela diz que "está-se a vir". A coisa seria mais ou menos assim:
                                          - Ai, estou-me a vir, estou-me a vir, estou-me a viiiiiiiiiiiiiiiiir.
                                          Parece maluquice. Portanto, o leitor está avisado. Fique atento se um dia for para a cama com uma portuguesa e na hora do "vamuvê" ela começar a gritar "estou-me a vir". É a sério, ela não está a gozar com a sua cara. Ou melhor, está a gozar. Missão cumprida.
                                          Ao que parece a coisa tem origem na expressão "I'm coming", usada na língua inglesa para anunciar o orgasmo. Invasão cultural é isso aí: tem que invadir também as nossas camas. It's a cultural fornication. Até na expressão dos nossos orgasmos a gente encontra a hegemonia anglo-saxônica. Mas há um detalhe engraçado: a expressão é "estar-se a vir" e raramente "estar a vir-se". Não me pergunte as razões, porque nunca entendi bem a lógica. Talvez algum especialista em língua portuguesa possa explicar. Ah... quando falo em especialista estou a me referir ao acadêmico, o estudioso, e não ao cara que sabe fazer "minetes". Não sabe o que é um minete? É sexo oral (quando o homem faz na mulher, o tal cunnilingus, muito apreciado desde os tempos do Fred Flintstone).
                                          Deixe adivinhar. Aposto que muita gente ficou curiosa para saber o nome da coisa quando é a mulher que se atira ao "mangalho" (é preciso traduzir?). É um "broche". Portanto, leitora, se um dia estiver em Portugal e algum "matulão" (rapagão) vier com conversas sobre broches, tenha muito cuidado. Nada a ver com inocentes enfeites para pendurar na sua lapela. É uma questão de oralidade.
                                          Como pode ver, as diferenças são muitas e é preciso um certo período para o sujeito se adaptar. E por falar nisso, é bom explicar que aqui deste lado do Atlântico o termo "período" serve para designar quando a mulher está menstruada. A expressão é "estar com o período". É o tempo em que elas são obrigadas a usar um "tampão". Eta palavrinha feia. Mas se não gosta, talvez prefira usar um sinônimo e dizer que é um "penso higiênico". Nada mais do que os nossos conhecidos "modess". É como diz o velho deitado: "Penso, logo menstruo".
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          16 - Dez conselhos úteis para imigrar ilegalmente

                                          É cada vez maior o número de brasileiros a tentar a vida em Portugal. Não passa um dia sem que a gente ouça um "uai, sô" (é que a maioria vem de Minas Gerais). E se você, leitor brasileiro, está pretendendo atravessar o Atlântico e vir para cá trabalhar ilegalmente, talvez deva ter alguns cuidados para não ser apanhado pelos gajos do Serviço de Imigração. Não vá "o diabo tecê-las" e você acabe sendo despachado de volta (ou seja, não vá dar um grande azar).

                                          A melhor maneira é desaparecer na multidão, tentar ficar o mais parecido possível com os nativos. Há alguns truques simples e eficientes que pode aprender, tendo sempre em atenção que são indicados para o sexo masculino, que forma a maioria dos imigrantes brazucas por aqui.
                                          1. Deixe crescer um bigodão, porque essa é uma marca dos portugueses (as más línguas, no Brasil, dizem que é para ficarem parecidos com as mães).
                                          2. Adote a maneira de vestir do português comum. A camisa é um detalhe essencial. Deve ser de botões, mas tem que ficar aberta até à altura do umbigo, com os pêlos do peito à mostra. E se não tiver pêlos, trate de fazer um implante.

                                          3. A camisa aberta mostra os pêlos, mas umas correntinhas de ouro podem ajudar a "compor o ramalhete" (a formar a figura). Uns anéis também não são mal pensados.
                                          4. Se não tiver medo de cortes no corpo, faça uma tatuagem no braço com a inscrição "Amor de Mãe" (a letra deve ser meio ilegível) ou uma inscrição que lembre as guerras coloniais na África. Algo como "Paraguai 68". Está bem, o Paraguai não esteve nessa guerra, mas passa porque história é uma coisa que as gerações mais novas desconhecem por completo.
                                          5. Fale rápido, alto e coce os "tomates" o tempo todo. Fale como quem está a brigar. Mas não brigue. Os portugueses falam com alguns decibéis a mais por hábito, mesmo nos restaurantes. Parece que vão sair na porrada... mas nada disso.
                                          6. Nunca chegue a um compromisso na hora certa. Isso confunde a maioria das pessoas. Há mesmo algumas que tomam isso como uma ofensa pessoal.
                                          7. Uma jogada eficiente é vestir um "fato de treino" (agasalho de esporte) para ir ao supermercado. O que até nem será difícil porque isso é normal para um brasileiro. A perversão consiste em levar a sua mulher ou namorada com uma roupa igualzinha. Têm que parecer um par de vasos.
                                          8. Ser for dentista, não conte para ninguém. Se perguntarem, negue. "Minta com quantos dentes tem" (na cara dura). Porque até como travesti você teria maiores chances de se dar bem no país.

                                          9. Depois do almoço é sempre recomendável que tenha hálito a vinho. Não importa se trabalha nas obras, no banco ou é diretor geral de uma empresa. O bafo de vinho depois do almoço, mesmo no trabalho, é uma tradição que não se perde.

                                          10. E, finalmente, o truque infalível. Onde quer que esteja, cuspa no chão. Cuspa, cuspa e cuspa. E não seja tímido porque um português que se preze tem que fazer muito barulho ao cuspir. Tem que buscar o cuspe lá de baixo (se for catarro, melhor). É uma verdadeira arte nacional.

                                          Se seguir estes 10 conselhos pode ter a certeza de que o pessoal da imigração nunca vai notar a sua presença.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          15 - Volta pra tua terra, pá!
                                          Texto de José António Baço publicado no "Observatório de Imprensa"

                                          Será xenofobia? O fato é que nos últimos tempos têm havido, na comunicação social portuguesa, muitas referências aos "brasileiros". E sempre com um indisfarçado tom de estigmatização. Os casos são inúmeros.

                                          ** Caso 1: a cronista de um grande semanário comenta, em jeito de ironia, as escolhas dos marqueteiros "brasileiros" que trabalharam na campanha do candidato a primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, derrotado nas eleições de 20 de fevereiro;

                                          ** Caso 2: outra revista nota que, no último debate televisivo para as eleições, o mesmo Santana Lopes esteve acompanhado de cinco pessoas, quatro referenciadas pelos nomes e a outra identificada apenas com um assessor "brasileiro";

                                          ** Caso 3: ao analisar os insucessos do Futebol Clube do Porto no campeonato nacional, o comentarista de uma emissora de televisão joga ao ataque e diz que a culpa é dos "brasileiros" enfeudados no clube;

                                          ** Caso 4: agência de publicidade veicula um anúncio para recrutar um designer e diz que os candidatos nem precisam ter muita criatividade: a condição é não ser "um gênio ‘brasileiro’ em plágio e idéias gastas". Quer dizer, o sujeito pode até ser fraco como profissional, mas não pode vir dos trópicos;

                                          ** Caso 5: o repórter de televisão queixa-se, ao vivo, do operador de câmera "brasileiro" que lhe estaria a tapar a visão num jogo de futebol;

                                          ** Caso 6: isso tudo sem falar no clássico dos clássicos: os professores universitários (inclusive nos cursos de Comunicação) que, ao indicarem livros, fazem sempre a ressalva: há uma tradução para o português, mas é feita por um "brasileiro". Então, os alunos empinam o nariz e fazem um infalível arzinho de nojo.

                                          Marqueteiros, jogadores de futebol, publicitários, operadores de câmera ou intelectuais. Era fácil ver apenas profissionais a desempenharem uma função. E, como seria lógico, analisar se esse trabalho é bom ou malfeito (vale dizer que são atividades em que os brasileiros se destacam). Mas, não. É preciso deixar claro que eles são "brasileiros". É assim que a palavra "brasileiro", usada insistentemente em tom negativo, começa a tomar a forma de estereótipo. E o estereótipo é irmão do preconceito.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          14 - Já agora, acho que é mais pequeno

                                          Os brasileiros imaginam os portugueses como pessoas cultas, que usam a língua de forma sempre impecável. É um mito. As pessoas comuns cometem muitos erros e a própria linguagem usada no dia-a-dia tem as suas “calinadas” (mancadas) instituídas. Há muitos exemplos.
                                          Uma das expressões que eu mais gosto é “já agora”. Não é estranha? Mas é usada por todos os portugueses, os mais cultos ou não. Afinal, o “já” não é “agora”? É uma daquelas expressões que entram nas frases e não significam absolutamente nada. O fato é que é muito comum ouvi-la em todas as conversas:
                                          - Já agora, ó gajo, por que estás a implicar com o nosso modo de falar?
                                          Outra que está entre as minhas favoritas é “voltar para trás”, também muito usada pelos portugueses. Seguindo essa lógica, poderíamos pensar que é correto usar “sair para fora”, “subir para cima”, “descer para baixo”. Mas não se atreva, porque acaba por ser corrigido e chamado de anarfa. “Voltar para trás” é a única que goza dessa prerrogativa pleonástica.
                                          Os portugueses não usam a palavra menor. É “mais pequeno”. Sempre. Também por essa lógica seria fácil imaginar que não se usa a palavra “maior”, que deveria ser “mais grande”. Esqueça. O certo é usar “maior” porque a regra só vale para o mais pequeno. Mas eu nunca consegui me acostumar: uso a palavra “menor”, porque é mais pequena.
                                          Sabe o que é “treuze”? É assim que algumas pessoas pronunciam o nosso popular número treze. Nunca entendi a razão e sou capaz de jurar que a palavra não existe. Sorte ou azar, o certo é que muita gente usa. Ainda na linha das palavras meio malucas, há um outra que foi instituída pelo uso popular:"inclusivé”. Assim mesmo, com acento. Eu, inclusivé, fui procurar no dicionário e confirmei que não existe.
                                          É impossível comer um bom bife de boi em Portugal. Pelo simples fato de que é sempre carne de vaca. Se você for ao “talho” (açougue) e pedir carne de boi, o “talhante” (açougueiro) é capaz de rir na sua cara, “abardinar” (avacalhar).
                                          Já que se fala em animais, existe um sério problema em Portugal. Há bairros de muitas cidades (em Lisboa especialmente) onde é melhor olhar para o chão quando se caminha. É que as pessoas têm os seus cachorrinhos nos apartamentos, mas levam os bichinhos para cagar na rua. E há uma espécie de moralismo que impede de usar a palavra merda. Então, a merda de cão passou a ser conhecida pelo eufemismo “presente de cão”. Há mesmo uma campanha da prefeitura da cidade a pedir que os donos embrulhem o tal presente e joguem no lixo. O slogan da campanha:
                                          - Presentes do seu cão, não.
                                          Isso de chamar merda de presente é uma frescura, claro. Aliás, já que estamos no campo da frescurite, existe uma coisa muito engraçada. Os ricos, por falta de coisas sérias para ocuparem o tempo, têm verdadeiros debates para saber qual é a palavra mais certa. Prenda ou presente? Parece que é fino dar presentes. Prenda é um termo “chunga” (brega). Os gajos do jet-set só têm tempo para essas palhaçadas “por casa” que não tem nada para fazer. Acredite. Em algumas regiões as pessoas dizem “por casa” quando querem dizer “por causa”.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          13 - A sua mãe é uma galinha
                                           
                                          Se disser a um puto que a mãe dele é uma galinha... está tudo bem. Desde que esteja em Portugal, claro. Primeiro porque “puto” é criança. Depois porque “mãe-galinha” é o mesmo que “mãe-coruja” no Brasil. É a expressão que os portugueses usam para falar das mães superprotetoras, numa referência óbvia ao fato de as galinhas estarem sempre a proteger os pintos.
                                          Pintos? Ooops... sem maldade. É que em Portugal “pinto” é apenas o filhote da galinha. Nada a ver com pênis. Aliás, também é um apelido muito comum. Ih... ficou confuso? Aqui deste lado do Atlântico a palavra “apelido” não é uma alcunha. É sobrenome. É só olhar nas listas telefônicas... tem “Pinto” para todos os gostos... páginas e páginas de Pintos. Há mesmo uma família “Pintão”, mas esses são pouco numerosos e, dizem as más línguas, provenientes da África. É provável que o leitor já tenha ouvido falar de algum Pintão africano.
                                          Mas, por falar nisso, em Portugal há alguns sobrenomes muito estranhos. Como o meu, por exemplo. Quando vivia no Brasil era fatal ter que aturar dois tipos de piadas. A primeira tem a ver com o fato de ser português, coisa que sempre levei numa boa. A única coisa que chateava realmente era a falta de imaginação das pessoas, porque tinha que ouvir sempre a mesma piadinha:
                                          - Sabe por que os portugueses usam bigode?
                                          - Não (bocejo de quem já conhece o desfecho).
                                          - É para ficarem parecidos com as mães.
                                          A segunda sacanagem tinha a ver com o meu sobrenome e rolava sempre algum trocadilho infame.
                                          - Vem cá, Baço.
                                          - Não brinca, Baço.
                                          - Vê se não marca toca, Baço.
                                          Era ca-baço para lá, ca-baço para cá.
                                          Mas se isso parece mau, imagine que Cabaço é um sobrenome muito comum aqui por estas bandas. É só abrir a lista telefônica e lá estão Cabaços aos montes. Lilianas, Eulálias, Cristinas. Até um João, mas esse já tinha tempo para tomar jeito na vida. Aliás, fico sempre a imaginar essas pessoas no Brasil. Ia ser interessante na hora de fazer o registro num hotel.
                                          - Bom dia. Eu tenho uma reserva em nome de Eulália Cabaço.
                                          E o recepcionista, imaginando uma indireta.
                                          - Olhe, minha senhora. Pode ser que entre aqui cabaço, mas só sai assim se quiser.
                                          É claro que os portugueses nem sonham que “cabaço” e “hímen” são a mesma coisa. A palavra tem a ver apenas com a cabaça, fruto de casca dura que os camponeses usam para transportar a água... ou o vinho. “Tirar o cabaço”, portanto, é apenas colher um inocente fruto. Já tirar a virgindade a alguém, aqui em Portugal, diz-se “tirar o três”. Tirar o três? Nem perguntem, não sei de onde é que os gajos tiraram a idéia. Talvez algum professor de educação sexual possa explicar.
                                          Aliás, a questão da educação sexual é um tema interessante. Os burocratas do Ministério da Educação decidiram que não haveria uma cadeira específica para o assunto. Ou seja, os professores das outras disciplinas seriam responsáveis por pela educação sexual nas escolas portuguesas. É uma fórmula que tem as suas vantagens. Imaginem, por exemplo, um professor de matemática a tentar resolver uma daquelas equações cabeludas.
                                          - Como podem ver, este é um exercício fodido.
                                          E, perante o espanto dos alunos, aproveita para vender o seu peixe.
                                          - Então, já que é foda, vamos aproveitar para falar de sexo.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          12 - Falar português é bué da fixe

                                            - Ganda cena, chavala! O cromo do men deixou o autocarro ir abaixo e ficámos ali à nora. Demorou bué da taime. Eu já tava m'a passar.
                                          É um dialeto? Um idioleto? Um ET a arranhar o português? Que nada. É a minha filha aborrecente, na volta da escola, a contar a uma amiga que o motorista do ônibus deixou o motor morrer e eles acabaram parados no trânsito por uns dez minutos. Ela ficou muito "lixada" (irritada).
                                          É difícil para um brasileiro entender os portugueses, em especial quando não se está habituado a ouvi-los no dia-a-dia. Mas em se tratando dos jovens a coisa é uma autêntica "carga de trabalhos" (uma dificuldade enorme). Acho mesmo que para serem compreensíveis os adolescentes deviam vir com legendas.
                                          Os jovens estão sempre a subverter a linguagem e a criar novas expressões. E nem podia ser diferente, porque isso é o que eles fazem em qualquer parte do mundo. É a irreverência da "malta nova" (galera jovem) que faz entender a língua como uma coisa viva e dinâmica. E nem adianta reclamar dos muitos pontapés na gramática.
                                          Os portugueses mais velhos têm uma visão conservadora e tratam a língua como se fosse uma vetusta senhora em quem não se deve tocar. E não se cansam de "rezingar" (resmungar) contra os jovens que, entendem, estão a empobrecer o português. Não adianta.
                                          - É gramar e cara alegre, cota.
                                          Ou, traduzindo: aceite e fique na sua, coroa.
                                          De fato, o conservadorismo é muito mais prejudicial do que o "calão" (gíria), porque os mais antigos insistem em manter a língua numa espécie de colete-de-forças (camisa-de-força). É empobrecedor e perde-se em criatividade e comunicação. Ou, brincando com Paul Ricouer, é a morte da metáfora. A língua não evolui, fica estagnada. Como diz a minha filha no seu dialeto:
                                          - É uma seca. Uma gaaaanda nóia.
                                          "Seca" (diz-se séca) aqui na terrinha é chatice. "Nóia", imagino, deve vir de paranóia. "Ganda" significa grande e é uma palavra que os "putos" (a criançada) usam o tempo todo. Tudo para eles é "gaaaanda..."
                                          Outra palavra estranhíssima, mas que a garotada está sempre a repetir é "bué". Se bem me lembro, em muitos lugares "bué" é uma onomatopéia usada na "banda desenhada" (história em quadrinhos) para as situações de choro. Mas não aqui: "bué" significa "muito".
                                          Aliás, "bué da fixe" é, certamente, a expressão mais repetida (em bom brasileiro, significa "muito legal") pelos jovens. Já imaginou quantas vezes por dia um brasileiro usa e expressão "legal"? É o mesmo com o "fixe" em Portugal.
                                          - Tás fixe, meu?
                                          - Sim. Tô bué.
                                          - Bué da louco, meu...
                                          - Iá, bué.
                                          E, como se pode ver, os jovens portugueses conseguem ser tão expressivos quanto os brasileiros.
                                          - Iá. Bué da expressivos, men.
                                          É como diz o velho deitado: "Este texto podia ser fixe, mas ficou uma gaaaanda seca porque tem bué da palavras".
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          11 - Um país sem motéis
                                          Crônica publicada na "Notícia"

                                           O leitor já deve ter ouvido dizer que os portugueses são um povo melancólico. É possível imaginar muitas razões. Poderia ser uma propensão genética. Talvez um inexplicável sentimento atávico. Ou, quem sabe, uma questão do inconsciente coletivo. Nada disso. A resposta é simples e não é preciso ser um bam-bam-bam da psicanálise para desvendar o mistério. O "x" da questão é que não há motéis em Portugal.
                                          A esta altura o leitor brasileiro, que com certeza já deve ter dado as suas cambalhotas em algum motel, pode estar a perguntar: "E como é que eles fazem?" O problema é esse. Não fazem. A energia libidinal dessa gente fica acumulando, acumulando, acumulando. E qualquer freudiano de orelha de livro sabe que a repressão dos instintos sexuais pode produzir sintomas neuróticos. No caso dos portugueses a coisa manifesta-se na forma da famosa melancolia.
                                          É claro que existem alternativas para o fuque-fuque. Há os hotéis. Mas mesmo os mais baratos são caros e só quem tenha a carteira sempre recheada pode freqüentá-los com assiduidade. Há as pensões. O problema é que muitas vezes são ambientes ranhosos e o espaço tem de ser dividido com ácaros, pulgas e outros seres menos amistosos. Há os carros. Mas é desconfortável e as pessoas correm o risco de ser flagradas pela polícia (os tipos sempre aparecem nas horas mais impróprias). E há o mato. É o sexódromo mais antigo da história da humanidade, mas é incômodo e não se pode esquecer o perigo de ter as partes pudentas atacadas por animais ou insetos.
                                          É sempre um sufoco. O mais engraçado é que a maioria das pessoas sequer imagina que possam existir lugares como um motel para a liberação das tensões sexuais. Para o português comum, a contenção sexual é uma fatalidade. Ou seja, passar dias, semanas ou meses sem rala-e-rola é um fato normal da vida, nada a fazer. Aliás, dá para dizer, sem medo de exagerar, que um português médio pode ter, ao longo de toda a vida, o mesmo número de parceiras que um brasileiro mais descolado tem em apenas dois ou três carnavais.
                                          Os jovens são os que sofrem mais. E justo eles que, em teoria, deveriam ter uma vida sexual mais ativa. Com os hormônios a ricochetear pelas veias, o que eles fazem? Usam uma lógica bem lusitana: casam. Mas os casamentos são como os melões: é difícil saber como serão por dentro. Não por acaso mais de 30% dos casamentos realizados no país acabam em divórcio.
                                          O país precisa de motéis para desentristecer. Se por um lado haveria menos casamentos, por outro também haveria menos divórcios. Mas as pessoas seriam mais livres, leves e soltas.
                                          José António Baço - Professor e publicitário

                                          10 - As "Bagabundas" brasileiras
                                           
                                          Faz alguns meses a notícia se alastrou pela imprensa e foi manchete durante vários dias. Um grupo de mulheres autodenominado "Mães de Bragança" (uma cidade ao Norte de Portugal) fez o maior auê contra as prostitutas brasileiras que, acusavam, estavam a causar a ruína dos seus lares e casamentos. Na verdade, as tais "mães" eram apenas uma meia dúzia de gatas pingadas obcecadas por fechar as casas de alterne - é como são chamados os bares de prostituição em Portugal - porque, segundo elas, eram antros de pecado voltados para a destruição da recatada família bragantina.
                                          O certo é que teriam muito trabalho, porque, ao que parece, apenas na região de Bragança há mais de uma centena dessas casas, a maioria cheia de brasileiras. De vez em quando, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras faz batidas nesses locais e enche o camburão. Não falha: as brazucas ilegais são detidas sempre às dezenas. Mas, apesar de toda a repercussão desses fatos na imprensa, qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia que as tais mães não passavam de mulheres sexualmente frustradas.

                                          perdut enmig del no-res i que han deixat nu dins una natura inhòspita. Em miro i em veig amb les mans desertes, buides; em miro i em veig que tot el meu interior s’ha convertir en una caverna obscura plena d’ecos de fosca. Però també veig, dins la profunda tristesa, una part de llum càlida, plena d’agraïment, que m’han mostrat, que m’han demostrat, tots els que vertaderament m’estimen, i a la qual m’he aferrat i m’ha permès mantenir el cap fora de les fosques aigües. També, ara, em veig a mi d’una altra manera, com si sortís del cos físic em pogués analitzar amb més detall i conèixer com sóc vertaderament… i ara, més que mai, sé que sóc així com sóc perquè per les venes em corre la mateixa sang que a tu t’omplia el cos i sé que sóc així com sóc perquè tu em vares modelar de la mateixa manera que el terrissaire fa néixer una eina d’un pilot de fang sense forma.

                                          He heretat molt de tu. Potser tots els de casa ho hem fet: les ganes intensíssimes de fer coses, moltes de coses, de no aturar-nos davant les adversitats; de saber acceptar —i superar— les derrotes, les nombroses derrotes; d’intentar viure sempre amb la vista posada en el futur, amb prudència sí, perquè sabem que mai les coses són tal fàcils com suposem, però també amb il·lusió i esperança; hem après a intentar fer servir el seny —un seny antic, que ja corria per les venes dels avis— basat en la senzilla lògica de la supervivència sense passar per damunt els que ens rodegen. Hem après a ajudar els demés, però mai abandonar-nos. Hem après a demanar perdó, una i mil vegades si era necessari, quan el nostre geni —terrible com una caixa de Pandora, es destapava i ho malmenava tot com una pandèmia—. Hem après a ser una mica franctiradors de la vida, a fer-nos advocats de l’impossible, i anar al nostre propi so intentant compensar el gran desequilibri entre la grandiloqüència que tant ens agrada amb el viure i el deixar viure. Hem après a no fer-nos por de fer el més espantós dels ridículs, d’oferir-nos per tirar endavant allò que ningú volia fer. I fracassar. I fracassar. I alguna vegada triomfar i llavors sentir-nos una part útil de l’engranatge de l’univers. Hem après a estimar les persones, i a intentar ser agraïts sempre… I hem après, sobretot, llibertat. Una llibertat practicada amb l’exemple: mai no ens obligares a res, mai no ens condicionares. Ens deixaves fer, sempre ens has deixat pensar per nosaltres mateixos.

                                          En un dels teus darrers moments, quan et tenia la cara, el cos entre les mans i pel cap ja m’ha passat l’inevitable, he tingut la impressió que la resta de la meva vida em quedaria a1axlMnMgica. I ho ha estat, dolorós, ho ha estat, tràgic. Però juro pels déus que per a mi ja és la imatge més dolça, més plena d’amor, que fins ara mai no han vist els meus ulls.

                                          Gràcies, pare.

                                          Foto: circa 1950

                                          bdesannorat FollowUnfollow 62 notes
                                            Loading... Show more notes Reblog caixa de Pandora

                                            sou caixa de Pandora semi-aberta. poucos dos meus males já foram libertados por aí. mas ainda há aqueles que hesitam em sair: não se sabe se piores que os anteriores, mas não demorarão à sair. sou caixa de Pandora que não fora cuidada como devia. passada de mão em mão; coletando de cada pessoa aquilo de mais ruim.coletando de todos aqueles que permitiam a sua essência negativa, suas dores, lamúrias e rancores. permanecem aqui até então. não devo ser aberta, em hipótese alguma. as dores que em mim habitam já fizeram mal o bastante: em mim enfraquecem, mas de fronte àqueles que as possuíram crescem, alimentam-se. alimentam-se do medo e do desespero. não as deixe sair, amor. cuide bem de mim, proteja-me, guarde-me. permaneça-me trancada: sou imune a tais dores, mas não quero vê-las em ti. 

                                            K X

                                            torpeci FollowUnfollow meuscaixa de pandorapandoraalvorotar sobre si mesmo 70 notes
                                              Loading... Show more notes Reblog Ele morreu esperando… — 

                                              Pois acreditou que a esperança é a ultima que morre.

                                              - Sempre ao seu lado -

                                              plinkplik-blog-blog FollowUnfollow cachorroanimalesperançacaixa de pandora 16 notes
                                                Loading... Show more notes Reblog p-a-n-do-r-a FollowUnfollow box of pandorablack whiteb&wcaixa de pandorarocktattoogirlwomanwomensexycarol é linda 15 notes
                                                  Loading... Show more notes Reblog fairymmystical FollowUnfollow Princesaprincesspandoracaixa de pandoraPinturasDesenhosconto de fadascontoscronicasMagicmagiamagicabox 10 notes
                                                    Loading... Show more notes Reblog Nunca me perguntaram quem eu verdadeiramente sou. Nem que eu finjo ser. Nunca ninguém me amou, e eu sempre amei algumas pessoas mais do que deveria. Nunca se importaram com minhas lagrimas, nem quiseram saber o motivo das mesmas. Nunca ninguém me perguntou algo além do meu nome, de onde sou e minha idade. Nunca quiseram saber do meu passado, ou o que quero para o futuro. Não me conhecem. Ninguém conhece, nem eu. As pessoas não sabem das noites que passo em claro chorando, ou das vezes que rio com vontade, não sabem meus segredos, o que as paredes da minha alma escondem. Não sabem nada, absolutamente nada da verdadeira Eu. Sabem o necessário para me taxar de varias coisas.
                                                    Ninguém sabe da menina medrosa, carente, sozinha, insegura e orgulhosa que sou. Ninguém sabe o porquê de me importar tanto com beleza. Nunca me perguntaram. Não se importam com o medo que tenho de não ser aceita pelas pessoas. Não se importam com o medo que tenho de não fazer algo importante. Ninguém sabe. Ninguém quer saber de nada disso.
                                                    Eles sabem o que importa pra eles, sabem sobre as piadas deles que eu rio, sobre as broncas que ouço. Sobre minhas notas na escola, sobre os professores chatos que faço piadas sem graças sobre eles. Sabem onde estudo, onde moro, minha idade, meu nome. Sabem, talvez, que minha matéria preferida é de longe português, mas que sou péssima na mesma. Mas eles não sabem o mais importante, não sabem do meu amor pela escrita, não sabem que amo series policiais, romance, pipoca com nutella. Não sabem que não sou fã de filmes de comedias, e que amo ver Harry Potter. Não sabem, por que não querem saber, são coisas obvias. Coisas que pequenas perguntas e observações desvendam, mas eles não querem saber. E não vão saber.
                                                    Talvez seja isso, talvez eu seja uma caixinha de surpresas esperando pela pessoa ansiosa que vai abri-la louca pra desvendar todo seu interior. E eu vou gostar da bagunça que essa pessoa vai causar, mas vou odiá-la por invadir meu território, e me deixar “nua”, sem segredos, sem mistérios, sem mim, pois o dia que uma pessoa me desvendar, eu serei dela, meus segredos serão dela, meus mistérios serão dela. Essa pessoa será minha e eu serei dela. Espero que por ai exista alguém doido pra desvendar uma menina tão confusa e cheia de luas. —  Caixa de pandora  mineira-a FollowUnfollow autoriassegredoscaixa de pandoramisteriosmedoshpslogans 8 notes
                                                      Loading... Show more notes Reblog
                                                      pandora guld
                                                      pandora offizielle Website
                                                      pandora à venda
                                                      pandora nettsted
                                                      клипы пандоры
                                                      Horizonte
                                                      Seja bem vindo ao

                                                      Maior armarinho virtual do Brasil

                                                      Meu Carrinho
                                                      • Pague em até 6x sem jurosNas compra com cartão de crédito
                                                      • Frete grátis Sul, Sudeste & DFNas compras acima de R$ 199.00
                                                      BannerTopoDireito